segunda-feira, julho 26, 2010

Tanta Coisa...

Hoje poderia dizer tanta coisa... Foi um dia meio nostálgico. Daqueles dias em que penso na minha vida, e que há tanta coisa que eu gostava de saber e fazer que não devo conseguir... Eu sei, estou a ser pessimista, mas comparado com a época em que criei (e depois abandonei) este blog, e para quem não vai ter férias durante o verão, acreditem que até estou bastante bem (de sublinhar a utilização do plural, como se alguém lesse isto... também, se pretendo que seja um blog "anónimo" não vou espalhar aos sete ventos que tenho um, é uma questão de coerência, mas passando à frente...). Nessa altura, reclamava mais do que sempre da minha vida, que não sendo assim tão perfeita felizmente também não é assim tão imperfeita, mas eu sou muito exigente e perfeccionista por isso queixo-me de tudo e de nada. Hoje em dia tento ser mais calma e olhar mais para as coisas boas que a vida me dá, e espero sinceramente não voltar a esse "buraco fundo" em que estava.

Hoje comprei a revista Lux Woman (sim eu sei, típica revista de "gaja") e estava lá um texto do Pedro Rolo Duarte entitulado "A Vida aos 14 Anos" sobre a (difícil) tarefa que temos aos 14 anos, escolher a área a seguir no secundário (pelo menos para mim foi difícil).

"Ter de escolher áreas específicas para o 10ºano, cadeiras que determinam acessos à Universidade, caminhos aparentemente reversíveis mas, na realidade, determinantes para o futuro. (...) A angústia de uma escolha que não se sabe se é."

Para mim foi assim, aliás continua a ser assim. É a única lacuna que tenho na minha vida, não ter um trabalho que me preencha, que me desse vontade de fazê-lo até de borla. Não sei o que isso é, nem sequer sei exactamente qual a minha vocação, e é essa a questão da minha vida que mais me angustia. Gostava de não lhe dar tanta importância mas não consigo. Modéstia à parte, tirando educação física sempre tive cincos a tudo até ao nono ano. O que também tornou a escolha mais difícil. Se um dia dizia que ia para a área de artes, no dia a seguir já dizia que ia para ciências e ao meio do dia ainda pensava nas humanidades. Por não saber o que escolher acabei por seguir a mesma área da maior parte dos meus amigos, pensando "ainda há tempo para decidir...". Só que passaram mais três anos, cheguei ao final do décimo segundo e ainda nada... Mais uma vez optei com base em opiniões alheias, que o importante era tirar um curso que desse emprego. Hoje digo a quem quiser ouvir que não é isso que acho, infeliz por infeliz num trabalho, ao menos que se tenha tirado um curso de que se goste. Eu não desgostei do curso que tirei, atenção, mas o que faço também não me realiza. E aos 24 anos cá estou, ainda à descoberta e com esperança na chegada de uma resposta... que infelizmente teima em não chegar.

E hoje era nisso que pensava, nessa resposta que não encontro, no trabalho enfadonho que tenho... Que gostava de ainda fazer tanta coisa, que gosto de tanta coisa... Gosto de cantar, gosto de escrever, queria aprender a tocar guitarra como deve ser, queria aprender a andar de bicicleta, queria saber nadar bem e não ter medo da água, queria conhecer esse mundo, viajar até me fartar... Queria escrever um livro, experimentar rádio porque tenho uma pancada qualquer e gostava de saber se isso tem alguma razão de ser... Mas no fundo... queria poder ter mais tempo para estar com as pessoas que mais gosto. Acima de tudo acho que queria mais tempo.Mas isso, ainda não se fabrica.

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